10 de mar. de 2014

O bom e velho gosto de romance antigo...

Você é a personificação de tranquilidade e sossego. Não sei se pelo efeito entorpecente da tua voz, pela calma impressa no teu olhar ou por todo o resto, que eu ainda não sei como é, mas tenho imaginado com tanta precisão: as tuas mãos curiosas percorrendo o meu corpo, o teu beijo intenso desvendando as minhas fraquezas, os teus braços seguros me puxando pra perto, o teu cheiro, que mesmo desconhecido, já é o meu cheiro preferido... O teu contexto.
 Incrível como a vida é generosa, “apesar de”.  E incrível como o clichê sempre se faz valer. Até você aparecer, meu sentimento era de inconformidade. Agora é de gratidão. Porque Deus, o universo, os cosmos ou sei lá o que sempre têm algo ou alguém melhor a nos oferecer. Antes tudo era tempo ruim e agora tudo é sol, por causa do teu calor.
Parece absurdo que em tão pouco tempo você já tenha crescido de uma forma tão bonita dentro de mim, mas diante da loucura da vida já não me surpreendo com mais nada. E ao mesmo tempo me surpreendo com tudo, porque cada sensação parece inédita, cada arritmia do meu coração, cada torção contraída do meu estômago, cada momento distraído dos meus hormônios, tudo é insólito. Aí está o paradoxo. E junto com ele, a graça.
Meu apreço por correr riscos tem alimentado esse novo-velho sentimento. Eu gosto de você por tudo o que temos em comum e pelas diferenças que ainda iremos descobrir. Eu gosto de você pela incerteza do amanhã. Eu gosto de você pela complicação que traduz a vida e pelo teu dom de simplificar.  Eu gosto de você por essa vontade de dividir contigo a tua cama pequena e algumas páginas bonitas da minha existência. Eu gosto de você pelas cervejas que vamos beber, pelos caminhos aos quais vamos nos atirar e pelas rugas e cabelos brancos que eu nunca vou te causar. Eu gosto de você porque nunca vi o teu sorriso, mas sonho com ele o tempo todo. Eu gosto de você por tudo o que tem a me ensinar e pelo medo de ser incapaz de aprender. Eu gosto de você porque já fiz uma lista de tudo o que você gosta – facas, livros, charutos, bebidas, história, grêmio – pra ter a certeza de que vou te dar bons presentes. Eu gosto de você porque mesmo que nada saia como o esperado, e mesmo que a gente nunca seja “a gente”, e mesmo que nossas rotas se desencontrem, eu vou me sentir uma guria de sorte, pelo simples fato de ter despertado em você algo bom.
Eu devia ter calma e cautela, mas há tempos risquei essas palavras de “contenção” do meu vocabulário. Movo-me pela lógica do Samurai: cada dia pode ser o último. Eu podia esperar você se apaixonar, mas eu não sei se isso vai acontecer. E se acontecer, eu não sei o quanto pode demorar. E se demorar, eu não sei se vou estar aqui pra ouvir. Parece mórbido, mas é real. Prefiro dizer o que quero dizer enquanto as pessoas podem me ouvir. Prefiro não deixar nada por ser dito, feito ou sentido. Mesmo que não faça sentido. A gente precisa optar pelo que faz o nosso coração vibrar. Apesar dos riscos e das possíveis consequências.
Existe um pássaro que acha que morre sempre que o sol se põe. De manhã, ao acordar, ele fica chocado de ainda estar vivo... Então canta alguma canção. Eu sinto vontade de cantar todas as manhãs, desde que te conheci. Estranho seria se eu não me apaixonasse.  

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