2 de fev. de 2014

Quem sabe então, por um acaso, perdidos no tempo ou no espaço...

Quem é que comemora finais? Acordei e te procurei ao meu lado. Foi triste, mas inspirador. Como se, em alguma outra vida, eu já tivesse dividido contigo a minha existência insignificante e os poucos centímetros do meu colchão, até o sol chegar. Como se...
Só o que preenche as lacunas do meu quarto, gigante sem você, são os resquícios de uma noite embriagante e a minha saudade mais grave e urgente.
Procurei em cada fundo de copo o teu sorriso e em cada música mal interpretada o motivo que um dia forçou as tuas cordas vocais a verbalizar um “te amo”. Meio entre dentes, línguas e fios do meu cabelo. No calor e na excitação da hora.
Eu pensei em beijar outras bocas, que não a tua, mas o plano falhou quando me lembrei de como tu percorre cada espaço nu da minha pele com as mãos e como me olha com carinho e tesão enquanto desafiamos a física e a lógica, usamos o mesmo lugar no espaço e, apelando ao clichê, somos um só.
Quis explicar às pessoas que tentaram, sem sucesso, me consolar que o amor não tem regras ou fórmulas exatas. Mas me calei quando percebi o motivo e o tamanho do meu apreço pelo incerto.
Eu queria escrever num guardanapo se você ainda ia me amar amanhã de manhã, mas o simples pedaço de papel amassado sobre a mesa pelas minhas mãos inquietas me lembrava como o vazio entre os meus dedos parecia ter o tamanho exato dos teus. E como tu sempre acalmaste a minha pressa, mesmo tendo tanta urgência em amar quanto eu.
Abandono à mesa os amigos e os copos vazios. Na minha cabeça volto pra casa bêbada, rouca e louca e te amando em dobro.
Faço o trabalho que é teu, tiro a roupa e me deito abraçando um travesseiro que em nada lembra o teu calor e proteção, mas, de alguma forma, parece amenizar a saudade. Fecho os olhos e constato que acredito em Deus, mas que, talvez, ele não acredite mais em mim.
Desejo e me ofereço outra chance. Aceito perder a razão, a cabeça, os princípios, a harmonia e a saúde mental, mas em hipótese alguma o meu coração e a oportunidade de compartilhar e curtir contigo a minha vida real.
Exercito a minha calma e isso de dar um passo por vez, nunca maiores do que a minha perna alcança, desde que eu esteja caminhando ao teu lado. Quando me perguntarem se você voltou eu vou dizer que, na verdade, você nunca foi. 

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