Quem é que
comemora finais? Acordei e te procurei ao meu lado. Foi triste, mas inspirador.
Como se, em alguma outra vida, eu já tivesse dividido contigo a minha
existência insignificante e os poucos centímetros do meu colchão, até o sol chegar.
Como se...
Só o que
preenche as lacunas do meu quarto, gigante sem você, são os resquícios de uma
noite embriagante e a minha saudade mais grave e urgente.
Procurei em
cada fundo de copo o teu sorriso e em cada música mal interpretada o motivo que
um dia forçou as tuas cordas vocais a verbalizar um “te amo”. Meio entre
dentes, línguas e fios do meu cabelo. No calor e na excitação da hora.
Eu pensei em
beijar outras bocas, que não a tua, mas o plano falhou quando me lembrei de
como tu percorre cada espaço nu da minha pele com as mãos e como me olha com
carinho e tesão enquanto desafiamos a física e a lógica, usamos o mesmo lugar
no espaço e, apelando ao clichê, somos um só.
Quis explicar
às pessoas que tentaram, sem sucesso, me consolar que o amor não tem regras ou
fórmulas exatas. Mas me calei quando percebi o motivo e o tamanho do meu apreço
pelo incerto.
Eu queria escrever
num guardanapo se você ainda ia me amar amanhã de manhã, mas o simples pedaço
de papel amassado sobre a mesa pelas minhas mãos inquietas me lembrava como o
vazio entre os meus dedos parecia ter o tamanho exato dos teus. E como tu
sempre acalmaste a minha pressa, mesmo tendo tanta urgência em amar quanto eu.
Abandono à
mesa os amigos e os copos vazios. Na minha cabeça volto pra casa bêbada, rouca
e louca e te amando em dobro.
Faço o
trabalho que é teu, tiro a roupa e me deito abraçando um travesseiro que em
nada lembra o teu calor e proteção, mas, de alguma forma, parece amenizar a
saudade. Fecho os olhos e constato que acredito em Deus, mas que, talvez, ele
não acredite mais em mim.
Desejo e me
ofereço outra chance. Aceito perder a razão, a cabeça, os princípios, a
harmonia e a saúde mental, mas em hipótese alguma o meu coração e a
oportunidade de compartilhar e curtir contigo a minha vida real.
Exercito a
minha calma e isso de dar um passo por vez, nunca maiores do que a minha perna
alcança, desde que eu esteja caminhando ao teu lado. Quando me perguntarem se
você voltou eu vou dizer que, na verdade, você nunca foi.
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