Eu quero conhecer tua família. Sabe? Eu quero secar a louça
enquanto sua mãe a lava. Eu quero que ela, sem sucesso, tente me ensinar a
cozinhar. Eu quero que ela confie em mim. Que me adote como filha. Que me chame
pra que eu a acompanhe num domingo à tarde, enquanto você trabalha. E que me
peça ajuda pra preparar o jantar, pra quando você chegar. Eu quero viajar
contigo, num sábado qualquer, pra tua terra natal. Quero sentir o rubor tomando
conta do meu rosto quando você me apresentar como tua guria. Quero rir das
coincidências e ao lembrar do teu primo apostando que eu entraria pra família.
Eu quero teu sobrenome depois do meu. Quero tuas mãos, braços, beijos e abraços.
Quero sempre olhar pra ti desse jeito apaixonado e encantado que inventei de te
olhar. Quero andar de mãos dadas na rua e ouvir todo mundo comentando como a
gente fica bonito junto. Eu quero férias contigo, no campo, na serra, no
litoral, no colchão jogado na sala. Quero, todos os dias, acordar com a certeza
de te ter ali. Quero meu edredom com o formato do teu corpo. Quero tua manha
gostosa, tua cara de sono e o timbre da tua voz cansada sempre que os primeiros
raios de sol irromperem quarto a dentro, enquanto eu mordiscar tua orelha e
beijar os teus lábios, como uma súplica inocente pra que você desperte dos
sonhos pra nossa realidade. Eu quero te beijar como se tivéssemos acabado de
descobrir o beijo no último dia de faculdade, quando você ouvirá o tão esperado
“aprovado”. Quero correr pros teus braços e, por um segundo, esquecer que não
estamos sozinhos. Quero deixar que você grite, ria, chore, desabafe tudo o que
acumulou durante os meses de estresse e
tensão que antecederam aquele momento. Quero que me olhe aliviado e agradeça
por eu ter compreendido e continuado ao teu lado. Eu quero estar na tua
formatura e borrar toda a maquiagem cara e bem feita com lágrimas de orgulho e
admiração. Quero te ouvir no rádio, te ver na TV, te ler nos jornais. Quero
nunca deixar faltar o colo que acolhe, o abraço que envolve, o silêncio que
respeita, a alegria que contagia, o olhar que acaricia, o desejo que sacia, o amor
que promove. Quero não permitir que a rotina nos alcance. Quero evitar
promessas, mas te dar a garantia de que podemos nos surpreender e reapaixonar sempre,
como se fosse a primeira vez. Que a gente sempre se guarde na memória. E em
fotos, e no coração. E que a gente sempre espalhe a nossa história por aí. Que
você a transforme numa música, que nunca vai ser gravada e eu num conto, que
nunca vai ser publicado. E que a gente siga seguindo, por entrelinhas e caminhos
tortos e com a certeza de que não é o destino, mas a jornada. E que não é a
viagem, mas a companhia. Que a gente continue perdendo a hora, o juízo, as
chaves. Que a gente perca tempo. Mas que a gente não se perca. Que nós sempre
sejamos laços. E que nós nunca sejamos nós.
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