4 de jul. de 2013

Uma luz que não produz sombra.

Eu quero conhecer tua família. Sabe? Eu quero secar a louça enquanto sua mãe a lava. Eu quero que ela, sem sucesso, tente me ensinar a cozinhar. Eu quero que ela confie em mim. Que me adote como filha. Que me chame pra que eu a acompanhe num domingo à tarde, enquanto você trabalha. E que me peça ajuda pra preparar o jantar, pra quando você chegar. Eu quero viajar contigo, num sábado qualquer, pra tua terra natal. Quero sentir o rubor tomando conta do meu rosto quando você me apresentar como tua guria. Quero rir das coincidências e ao lembrar do teu primo apostando que eu entraria pra família. Eu quero teu sobrenome depois do meu. Quero tuas mãos, braços, beijos e abraços. Quero sempre olhar pra ti desse jeito apaixonado e encantado que inventei de te olhar. Quero andar de mãos dadas na rua e ouvir todo mundo comentando como a gente fica bonito junto. Eu quero férias contigo, no campo, na serra, no litoral, no colchão jogado na sala. Quero, todos os dias, acordar com a certeza de te ter ali. Quero meu edredom com o formato do teu corpo. Quero tua manha gostosa, tua cara de sono e o timbre da tua voz cansada sempre que os primeiros raios de sol irromperem quarto a dentro, enquanto eu mordiscar tua orelha e beijar os teus lábios, como uma súplica inocente pra que você desperte dos sonhos pra nossa realidade. Eu quero te beijar como se tivéssemos acabado de descobrir o beijo no último dia de faculdade, quando você ouvirá o tão esperado “aprovado”. Quero correr pros teus braços e, por um segundo, esquecer que não estamos sozinhos. Quero deixar que você grite, ria, chore, desabafe tudo o que acumulou durante os meses  de estresse e tensão que antecederam aquele momento. Quero que me olhe aliviado e agradeça por eu ter compreendido e continuado ao teu lado. Eu quero estar na tua formatura e borrar toda a maquiagem cara e bem feita com lágrimas de orgulho e admiração. Quero te ouvir no rádio, te ver na TV, te ler nos jornais. Quero nunca deixar faltar o colo que acolhe, o abraço que envolve, o silêncio que respeita, a alegria que contagia, o olhar que acaricia, o desejo que sacia, o amor que promove. Quero não permitir que a rotina nos alcance. Quero evitar promessas, mas te dar a garantia de que podemos nos surpreender e reapaixonar sempre, como se fosse a primeira vez. Que a gente sempre se guarde na memória. E em fotos, e no coração. E que a gente sempre espalhe a nossa história por aí. Que você a transforme numa música, que nunca vai ser gravada e eu num conto, que nunca vai ser publicado. E que a gente siga seguindo, por entrelinhas e caminhos tortos e com a certeza de que não é o destino, mas a jornada. E que não é a viagem, mas a companhia. Que a gente continue perdendo a hora, o juízo, as chaves. Que a gente perca tempo. Mas que a gente não se perca. Que nós sempre sejamos laços. E que nós nunca sejamos nós.   

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