Os olhos se caçando, em meio à multidão. O teu riso fácil na
minha presença, o abraço de despedida cheio de jeito, curva, olhos fechados, vontade
de ficar. Os corpos em sintonia, num ritmo charmoso. Um perfeito descompasso embalado
pelo ofegar da respiração. A malícia do desejo misturada ao anseio pelo toque, carregado
de ternura e certeza. Os encontros ao
acaso, com cara de colisão, cheios de explicação, motivo, teoria. O hábito de me
procurar em sonhos. A lua cheia, refletindo o teu rosto. Iluminando o caminho,
mostrando a direção. O teu sorriso, perdido entre a barba mal feita, me fazendo
tocar o céu. O gosto por continuar mergulhando, mesmo sem saber nadar, no
abismo dos teus olhos negros. As palavras certas, o cuidado subjetivo. Como
resolve os problemas, como ignora intrigas pequenas. As inúmeras variações de
humor que me permitem ver teu rosto em configurações infinitas. Chamam isso de
amor, eu também acho. E seja como for, me da um abraço...
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