23 de ago. de 2012

Talvez a metade do caminho.


Não sei se é normal ou não, mas os pelos no meu braço ainda eriçam quando lembro a forma que tu me olhavas naquela noite acidentalmente especial. Atravesso os meus dias repassando cada mínimo detalhe. Do ponto em que perdi a inocência ao canto do teu abraço onde encontrei a felicidade. Eu poderia tragar o mais alucinógeno dos cigarros ou me embriagar com o resto do seu uísque mais forte, mas nada me faria alcançar a fissura que me provocou o atrito dos seus dedos com a minha pele. Movendo átomos e curvas de lugar... Cento e dez, cento e vinte, cento e sessenta... Para de pisar o pé nesse acelerador.  Eu prefiro seu carro parado em alguma rua que me assusta, cheia de história pra contar, mas que se cala quando o breu da noite chega, nos brindando com o silêncio e a chance de enxergar além do que os olhos podem ver, revelando as mais íntimas imperfeições, que deixam de me preocupar quando você me faz lembrar quem somos e o porquê de estarmos ali.
A lua está cheia e aposto que você nem notou... Não é de se ater à detalhes e quer ir direto ao ponto. Incrivelmente eu me sinto segura e o medo passa a dar vez a minha ânsia por correr riscos. Contigo. Me lê como se já conhecesse a história. Sabe que é meu ponto fraco, mas ainda há algo que te surpreende. Seus olhos brilham mais que qualquer coisa e dizem o que tuas palavras não expressam. Eu também deixo de prestar atenção nos detalhes e prendo meus cuidados a você. Marcou meu corpo, cuidadosamente, com tatuagens que durariam por sete dias e me fariam sorrir ao lembrar.
Eu queria descansar no teu peito o cansaço da vida e o peso de ter que ser alguém, mas foi você quem cedeu ao sono, e provavelmente sem perceber se aconchegou no meu corpo, pronto pra imergir num sonho que eu nunca vou saber se foi comigo ou com outro alguém. Eu poderia ficar acordada olhando você respirar, passar a minha vida naquela doce rendição e todo aquele blábláblá, mas o açúcar no meu sangue ia perdendo a eficácia e me empurrando pro sono, no abraço que eu sempre quis chamar de lar.
Acordei me sentindo traída pelo meu próprio subconsciente que não me deixou despertar um pouco antes e assustada com os raios de sol entrando pelas frestas da tua janela, deixando literalmente claro que o nosso tempo juntos estava prestes a acabar. Em resumo foi tudo o que eu esperava, mas nunca pensei que ia acontecer. Não me lembro se você sorriu quando acordou, mas tive que me beliscar pra ter a certeza de que não estava presa em algum dos sonhos que comumente tenho com você. Eu não queria fazer analogia a príncipes ou contos de fada, mas você me acordou pra realidade com beijos e alguma sacanagem bem dosada e naquele momento eu percebi o que era felicidade... Eu estava onde eu queria estar e com quem eu queria estar. As dúvidas e confusões deram espaço à plenitude, mesmo que momentânea. Pouco importava o próximo passo, o amanhã. Você estava certo, garoto dos olhos marrons e da barba mal feita. A vida funciona melhor quando não é planejada. If I could be who you wanted all the time. All the time.

2 comentários:

Gugu Keller disse...

Apaixonar-se é pisar em falso e, ao invés de cair, sair voando.
GK

Alessandra Lara disse...

A melhor das viagens.