21 de jun. de 2011
A nossa história foi escrita sob o som de uma banda qualquer...
Não havia nada entre nós. Talvez alguns lençóis e o volume daquele abstrato sentimento. Se fosse concreto preencheria o quarto, correria pelo corredor e voaria pela janela. Iria embora, desentoaria o momento. Mas estávamos naquela realidade... Perfeita demais pra ser real. Tínhamos uma quase certeza de que logo o encanto acabaria... Mas aproveitamos cada momento, até que o relógio anunciasse a meia-noite sem final feliz. Não fazíamos questão que sobrevivesse... Estava sendo eterno naquele momento. Sempre casávamos na idéia de que aproveitar cada segundo era bastante plausível. Assim como concordávamos que ficávamos bem juntos. Minha mão esquálida ficava perfeita sobre seu cabelo cor de breu. O meu cheiro no seu moletom cinza lembrava domingo de manhã, depois de uma noite de amor e música. A nossa curta história tinha trilha sonora digna de estatueta dourada. Formávamos um bom “você e eu”. Mesmo quando você saía sem avisar. E eu, insana e paranóica, não esperava pela sua volta... Quebrava os discos e os pratos, abria a casa, portas e janelas, grande janelas... Varria a poeira e qualquer resquício de sentimento... Até que você voltava, com uma sacola cheia de porcarias e novas histórias, me olhando assustado, com aqueles olhos cor da noite, e me abrindo aquele sorriso, que iluminava mais do que qualquer céu estrelado. Sua dúvida pairava entre me beijar e dar risada e eu adorava a sensação dos nossos dentes entrando em conflito. Assim como eu adorava quando você me contava sobre seus sonhos e manias... Contava como se eu não soubesse. Como se eu não te conhecesse mais do que a mim mesma. Como se eu não amasse mais você do que eu. Você pedia café e adormecia sem prová-lo. Era esnobe e orgulhoso. Era o que chamam de metade ou de encaixe perfeito. Era pra mim. Logo eu, que não acreditava nessa história de almas gêmeas... Eu que já havia desistido do amor tantas vezes... Eu que não esperava mais por ninguém e, nessas infindas possibilidades de desencontros, encontrei você... Eu que já tinha riscado a palavra decepção de todos os dicionários ali por perto... Eu que esperava que você dormisse pra sempre ao meu lado, pra não precisarmos acordar daquele sonho tão bonito... Eu. Eu que deixei a janela aberta. Eu que deixei o amor escapar. Olha só, minha menina, o amor se escondeu. Numa estrela vazia, foi embora num cometa. Não havia mais nada de abstrato entre nós, só um muro de Berlin, muro de concreto, tudo de concreto. Fim
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Um comentário:
Poxa... precisa dizer que ficou lindo? Precisa não,né?! Essas histórias de amor com final triste, são definitivamente as mais bonitas. Eu me vejo em cada linha que você escreve com o cara que me fazia feliz até pouco tempo... Obrigada! Beijos
http://biacentrismo.blogspot.com
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