Eu já provei de quase tudo nessa vida, mas a nossa sintonia me surgiu como algo inédito. Eu senti a emoção à flor da pele quando te vi parado ali – as luzes da cidade e do natal te iluminando - e no segundo seguinte vindo em minha direção.
Eu, que desci as escadas com passos firmes e decididos, senti a minha segurança escorrendo por entre os dedos quando teu cheiro se apresentou ao meu. Mas ao contrário do que eu esperava, aquela surrada sensação de que uma morte fulminante acometeria sobre mim antes que eu pudesse te dar oi, eu te abracei e vi a vida acontecendo. Tudo ali, numa fração de segundos. Tudo. Tudo e aquela certeza de que nada acontece ao acaso e de que às vezes Deus acerta tanto que a gente não tem como agradecer.
Perdi a conta de quantas vezes te sorri desde o portão até o elevador e do elevador até o meu quarto. Não calculei quantos milésimos de segundo a minha boca demorou pra alcançar a tua, mas mesmo assim sinto muito por ter demorado tanto tempo. E para todas as vezes em que eu ri enquanto te beijava e você me pediu o porquê, te explico: entre tantas teorias e hipóteses sobre o que é e onde se encontra a felicidade, eu a descobri ali. Em tudo o que a tua boca foi capaz de me fazer, no atrito dos teus lábios contra os meus. “Je ne regrette rien”. Entre todas as línguas, eu prefiro a tua.
Perdoo o teu medo de altura se prometer não ter medo de mim. Dizem que todo mundo deveria ter um lugar favorito no mundo. Será que um lugar pode ser uma pessoa? E será que tem espaço pra um pouco de mim dentro desse tanto de você?
Continue entrando em mim como se já conhecesse cada canto aqui dentro. E fica, porque é bom te ter aqui. É bom olhar pro lado e ver teu sorriso fácil, esticar o braço e deixar minha mão se perder no teu cabelo fino, provar cada centímetro dos teus um metro e tantos. E tudo bem se você não prestou atenção na minha tagarelice desmedida. Tua presença tão presente compensa qualquer distração.
Talvez isso seja excitação de momento, adrenalina e tanto faz. Mas eu vou seguir as tuas normas de conduta, de quem tem fé no futuro, mas vive todos os dias como se fossem o último, e me permitir um pouco desse sentimento. Talvez dure até a semana que vem ou comemore aniversários, só o tempo vai dizer e tudo bem. Mas esses desvios de rota, esses imprevistos, esses reencontros – porque com certeza nos conhecíamos de outra vida – só vem para acrescentar. E quando não se tem nada a perder, só se tem a ganhar.
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