Se eu fosse agir impulsionada pela razão, e não
pelo coração ou pelos hormônios, é óbvio que eu não estaria ali. Mas eu não sei
bem onde eu estaria. Analisando prós e contras e as várias variáveis e opções,
nenhum lugar do mundo parece melhor do que o nosso lugar. Debaixo dos lençóis,
onde pouco além da simetria que permite o encaixe perfeito dos nossos corpos se
faz necessário, eu deixo minhas mãos livres pra percorrer cada centímetro nu da
tua pele, e prendo os meus pés aos teus, porque, afinal, entre tanto atrito e
incerteza, um pouco de segurança não faz mal a ninguém.
Qualquer um chamaria de insônia, mas eu justifico a
minha falta de sono com a certeza de que fechar os olhos seria arriscado, e
perda de tempo, diante da possibilidade de um vislumbre do teu sorriso a
qualquer momento. Procuro me ajeitar no colchão pra um que já possui o formato
de nós dois, ora corpos sedentos, ora corpos cansados, e opto pelo desconforto,
porque basta virar o rosto pro lado oposto ao teu pra que eu sinta a sua falta.
Insisto em ser racional, mas me entorpeço com o teu
cheiro e tudo o que ele me propõe. O resultado do teu toque, carregado de
calor, ternura e malícia é imediato e quando você ajeita o corpo por cima do
meu percebo que vai além da metáfora, eu não tenho saídas.
Tu me pegas olhando o infinito acima das nossas
cabeças e questiona os meus pensamentos, mas eu acho que só o que funciona, de
momento, é o meu coração, batendo descompassado à medida que sente o teu. Agora
sim, me cobro calma. Calma e qualquer outra coisa que faça o relógio parar, na
tua presença, porque, paradoxalmente, temos todo o tempo do mundo, mas não
temos tempo a perder.
É tão intenso que me parece impossível que seja
efêmero...
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