8 de jan. de 2014

Sem caber de imaginar, até o fim raiar...

Se eu fosse agir impulsionada pela razão, e não pelo coração ou pelos hormônios, é óbvio que eu não estaria ali. Mas eu não sei bem onde eu estaria. Analisando prós e contras e as várias variáveis e opções, nenhum lugar do mundo parece melhor do que o nosso lugar. Debaixo dos lençóis, onde pouco além da simetria que permite o encaixe perfeito dos nossos corpos se faz necessário, eu deixo minhas mãos livres pra percorrer cada centímetro nu da tua pele, e prendo os meus pés aos teus, porque, afinal, entre tanto atrito e incerteza, um pouco de segurança não faz mal a ninguém.
Qualquer um chamaria de insônia, mas eu justifico a minha falta de sono com a certeza de que fechar os olhos seria arriscado, e perda de tempo, diante da possibilidade de um vislumbre do teu sorriso a qualquer momento. Procuro me ajeitar no colchão pra um que já possui o formato de nós dois, ora corpos sedentos, ora corpos cansados, e opto pelo desconforto, porque basta virar o rosto pro lado oposto ao teu pra que eu sinta a sua falta.
Insisto em ser racional, mas me entorpeço com o teu cheiro e tudo o que ele me propõe. O resultado do teu toque, carregado de calor, ternura e malícia é imediato e quando você ajeita o corpo por cima do meu percebo que vai além da metáfora, eu não tenho saídas.
Tu me pegas olhando o infinito acima das nossas cabeças e questiona os meus pensamentos, mas eu acho que só o que funciona, de momento, é o meu coração, batendo descompassado à medida que sente o teu. Agora sim, me cobro calma. Calma e qualquer outra coisa que faça o relógio parar, na tua presença, porque, paradoxalmente, temos todo o tempo do mundo, mas não temos tempo a perder.
É tão intenso que me parece impossível que seja efêmero... 

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