1 de out. de 2013

Não sei quanto o mundo é bom, mas ele está melhor...

Eu nem me lembro da cor dos teus olhos verdes. Não guardo na memória como é o teu sorriso nada comercial. Não me prendi às tuas manias enquanto dirige, brincando de passar a marcha no câmbio, querendo passar as mãos nas minhas coxas.  Toda vez que perco a paciência com o ser humano lembro-me daquela maldita terça à noite. Você verbalizando um monte de besteiras e cantando um “californication” incrivelmente mais bonito na tua voz, enquanto eu me reprimia pra não te contar que, coincidentemente, essa música tinha ocupado a minha cabeça durante todo o dia, com medo do quanto isso soaria clichê . Você com os olhos loucos pelo mundo, e querendo abraçá-lo com mão, braços, abraços e pernas. Eu sonolenta e risonha, pela segunda garrafa de Stella, com o tesão escorrendo pelo canto dos lábios que se curvavam num sorriso sugestivo, e com os olhos sedentos pelo abismo dos teus. Como nessa época do ano eu dou pra odiar todo mundo, tenho pensado muito em ti. E queria dizer que entre os meus cheiros favoritos, depois de roupa lavada e banho tomado, vem o teu.

Obviamente, em tão pouco tempo, é teoricamente impossível conhecer todos os meus lados, polaridades e variações de humor. Eu queria conseguir te explicar, dialeticamente, o porquê do meu sentimento ser tanto em tão pouco tempo. Mas o meu medo, de ter medo, de ter medo, resultado de relações frustrantes, me cala diante da incógnita que você ainda representa pra mim. Aliás, desculpe a falta de jeito e palavras. Se você pudesse entender a perdição involuntária que é congelar na tua presença as coisas ficariam um pouco mais claras. Como a tua pele alva, alvo de cobiça dos meus dentes.

É primavera e tem milhares de músicas falando sobre isso. Eu te quero tanto, e não encontro um jeito avassalador de dizer. Eu daria muito pra sentar do teu lado e ficar em silêncio... Só ficar. Olhando desse ângulo parece que eu banalizo os sentimentos, vulgarizo o amor. É que o amor, sabe, sei lá. É como viajar o mundo sozinho, eu acho. Quem não arrisca, morre de medo, se sente incapaz e vê tudo como uma possibilidade muito distante. Só percebe o tamanho da besteira que estava cometendo quando alça voo e vê quão prazeroso aquilo pode ser.  É do tamanho do meu exagero em estar te escrevendo uma carta que eu não sei se é de chegada, ou despedida. Continua soando absurdo e nonsense, mas o que eu posso fazer se quando falo contigo só consigo ver horizonte e nenhuma fronteira?

E você, exatamente você e seu jeito de ser uma metade mistério e a outra metade também, é o tipo de distração que a minha vida não precisava. Eu não era mais o tipo de guria que se encantava com cada palavra ou atitude e sorria aos quatro ventos sempre que falava com alguém. Aliás, eu não era o tipo de guria que se interessa pelo cara que transpira segurança e que pode ter quem bem entender. Mas você personifica a perfeição. Você e tuas coxas brancas que quase não cabem dentro das calças. Você e a tua inteligência descomunal, você e a tua mania de falar e escrever esquisito, você e isso de ir embora sem nem bem ter chegado. Você e essa minha vontade de aprender milhares de línguas e carregar na sola do meu tênis a poeira de cada canto do mundo que eu quero conhecer contigo. Tanto faz se até os 30 ou depois disso.


Sempre gostei de sonhar e crer nas pessoas, mas as últimas experiências tinham me deixado um pouco mais cética e muito mais fria. Só que quando você mordeu a palma da minha mão, deitou no meu colo, sugerindo que queria que eu fizesse carinho na penugem da tua cabeça, cheirou o meu pescoço e deixou eu te beijar, foi como se todo o meu esforço em ser mulher tivesse se anulado. Tu me pegou forte na nuca e me fez menina, tudo outra vez. O nosso beijo não se encaixou da melhor maneira possível, o empecilho irremovível do carro não colaborou, mas em resposta à tua pergunta: Sim, eu quero te deixar louco, eu quero que você perca o juízo, a calma, as horas. Que se perca e que me encontre. 

Nenhum comentário: