Venho me
movendo pelo prazer da sua companhia. E tanto faz se nessa galáxia, dimensão,
planeta, universo paralelo ou multiverso. Venho me movendo pela incerteza
absoluta dos nossos encontros com cara de colisão. Eu diria que salvamos um ao
outro, de todas as formas que alguém pode ser salvo. Eu diria que somos a
válvula de escape, o encontro do alívio, a fuga dessa embriagante realidade. Eu
poderia permanecer imersa na anestesia dos teus beijos e presa no calor dos
teus abraços, mas o tempo, o tempo todo, sente inveja, e insiste em passar
rápido. Voar, como um pássaro. Podemos ser qualquer coisa. Podemos ir aonde
quisermos. De um hemisfério ao outro. Na cauda de um cometa. Pelo lado feio.
Juntos. Se for um erro, eu quero errar sempre assim. Se for um sonho, por
favor, não me acorde. Que bom que a gente tem a gente. Que bom que as coisas
deram errado a nosso favor. Que bom que o assunto nunca falta e que a conversa
continua até no silêncio, graças ao teu dom de ler meus olhos e pensamentos e
entender os meus sinais. Que bom encontrar o encaixe perfeito dos lábios. Que
bom encontrar alguém com o tamanho exato do nosso vazio. Capacitor de fluxo. Me
conduz na trilha da felicidade. Plenitude. Um pequeno pedaço do céu.
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