8 de jan. de 2013

Ontem eu vi você sorrir pra mim, como num sonho...

Abri os olhos e me deparei com o que costumam chamar de felicidade. Tão próxima e possível que custei a acreditar. Não que a vida estivesse sendo tão ruim. Por mais
que os problemas chegassem, sempre vinham acompanhados da lembrança de um conselho que alguém me deu de graça: "Seus problemas podem não ser problemas. Por mais que
você esteja tendo um dia ruim, lá fora alguém está tendo um dia muito pior.". Não. A vida era, de longe, tranquila. E era justamente a monotonia o que mais me
incomodava e tirava do sério. Não sei bem das minhas origens, mas herdei de algum antepassado um espírito que se excita com aventura e a ideia liberdade. Tu surgiu
como o meu maior desafio. Surgiu como a minha possibilidade de paz e equilíbrio, mas ao contrário. Me virou do avesso e usando o pouco que tinha me proporcionou as
mais sensatas emoções. E agora, te olhando dormir, mal posso acreditar. Mesmo depois de tantas noites em claro, meus lábios, que só cessam com teus beijos, ainda se
curvam num sorriso torto ao te ver chegar.  O arrepio que percorre a coluna é constante, e só mais uma amostra do que sinto em cada simples toque das tuas mãos, que
não vacilam, acalmam e conduzem ao ponto em que amamos nos encontrar. Teu projeto de barba, mal feita, arranhando meu rosto, me eleva à uns dois palmos acima do céu.
Nada de anormal. Ainda assim, inexplicável aos leigos quanto ao amor. Tua boca entre aberta me desperta pensamentos sujos e a vontade de te arrancar do sono para que
mergulhe em mim. Teu corpo, de uma cor de tamanha perfeição que ainda não sei descrever, foge do lençol, por causa do calor, e é o desenho exato de um labirinto no
qual amo me perder. Porque só então me encontro. Sinto de leve a tua respiração gelada e acaricio os cabelos negros que contrastam com o branco do travesseiro. A
realidade tem sido melhor do que tudo que sonhei acordada nas noites em que tua inconstância me rendia insônia. Agora é tudo pleno, mesmo tão imperfeito. Eu trocaria,
facilmente, todos os pores-do-sol da minha existência por qualquer raro vislumbre do teu sorriso largo, despreocupado e com uma dose de malícia escondida ali, em algum
lugar. Eu entendo vocês que não me entendem. Quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração?

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