28 de abr. de 2012

A noite cai de alturas impossíveis, e quebra o silêncio...


Eu não vi o sol nascer e na minha janela bateu um dia cinza. Mais um desses que promete a frieza da falta de poesia e o peso das lembranças, da nostalgia. Era em dias assim, com chuva e frio, que nos procurávamos pra saber que não existe tempo ruim quando é tempo de amor. Era em dias assim que nos perdíamos entre lençóis e histórias enroladas. Nos encontrávamos entre beijos e abraços. Éramos, nós, as quatro estações. Fenômenos e catástrofes, naturalmente sintonizados na freqüência das batidas dos corações.
Se me visse, agora, com unhas roídas e olhos cansados, me diria para substituir as lágrimas por sorrisos. Não me mimaria dizendo que eu fico linda sorrindo, não me pediria pra ficar bem... Me faria ficar. Se me visse, agora, com meu frágil coração sangrando nas mãos, me tomaria nos braços e diria, num silêncio absoluto, tudo o que eu gosto de escutar. Se me visse, agora...
Eu não vi o sol nascer... Ficou dormindo atrás das nuvens... Tu me pedias pra não abrir a janela em dias cinzas... Mas a tempestade que chega me lembra olhos... Olhos iguais aos seus. Iguais ao céu, ao meu redor... Olhos negros, tu me dirias. Fanatismo pela imensidão escura da noite... Curiosidade em entender o brilho das estrelas e as fases da lua. Curiosidade em ouvir os mistérios dos sóis da meia noite e de auroras boreais. Brincadeiras com fundos de verdade, sorrisos da boca pra fora... O que está acontecendo? Você dormiu sem me dizer as coisas boas do seu dia. Você partiu. E eu parti. Parti pra bem longe. Parti ao meio. 

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