Que bom te encontrar na imaginação, meu bem. Que bom perceber que estou na merda. Que bom, meu bem, que o amor não acaba. Meu bem, meu bem. O que aconteceu? Tu não tinhas ido embora, eu não tinha te esquecido? Por que é que quando tudo está correndo perfeitamente bem você aparece, seja no meu sonho ou do outro lado da rua, e traz à tona todos aqueles sentimentos idiotas que eu alimento por você? Por que tu sempre cravas as unhas no meu coração, abrindo de novo a ferida que se formou quando você se foi? Já vi esse filme antes, meu bem, e gosto da parte em que tu me pedes pra tomar cuidado com a tatuagem. “Não arranha, meu bem.” Tu até que gosta de cicatrizes, mas “Não arranha a tatuagem!” Não deixei saudade, nem mordida, nem hematoma. Mas deixei cicatriz. Em algum lugar por aí, nas esquinas dessa cidade de vias infinitas e retas, ou nas entrelinhas do horizonte dessa noite que não clareia. Porque tu lembras de mim. Quando chora de saudade da mãe, quando vê o nosso time sendo campeão e quando toma café batido. Tu esqueces por uma vida, e depois tu lembras, só pra sentir de novo o que já não importava mais. Tu esqueces, lembra, vai e volta. Quando o inverno acaba e a primavera aparece prometendo um pouco mais de flores, um pouco mais de amores. Vai ser sempre assim, tu só precisa existir, deixa o resto comigo. E volta e me acorda meu bem, quando setembro acabar.
Um comentário:
muito bonito.
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