21 de ago. de 2011

Muito prazer, ao seu dispor, se for por amor as causa perdidas

Era inverno, era agosto, era treze, era azar. O frio dentro de mim teimava em ser mais cortante do que o daquela noite estrelada. Faca de dois gumes. Placas indicando o tempo, relógios entregando a direção. Não te vi depois da curva, não te vi por trás da máscara. Tu seguiste viagem e eu fiquei aqui, o mundo nas costas e a cidade nos pés. Planos de um passado distante, lembranças de um futuro que a gente sonhou. Tua carta não chegou, chegou a chuva rasgando o azul, rasgando o que eu escrevi e não mandei. E tu me mandando seguir em frente. Esqueceu de avisar que teu caminho era outro. Esqueceu de perguntar se eu conseguia seguir sozinha. Esqueceu de como somos melhores juntos. Esqueceu as promessas e esqueceu de apagar a lua. Eu preferia quando nada nos dividia. Hoje são muralhas da china e muros de Berlim. Cortinas de ferro e sentimentos de papel. Que tivessem nos roubado as idéias, mas não o sentimento. Que levassem essas mal traçadas linhas, mas que te deixassem do meu lado. Trocamos cartas de amor pelas de suicídio. Errei não sei aonde. Sigo em frente não sei por que. Você passou. Claro que passaria. O tempo voou, já é setembro, cadê o amor?

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