27 de jul. de 2011

Eu sempre esqueço do dia, mas lembro do mês.

A ficha cai antes de você dizer o que realmente importa. Ele não vai retornar. Talvez por vergonha ou medo... Talvez porque quando não se parte não há para onde retornar. Talvez porque alimente a esperança de que você preencherá a falta com o som da voz, som do violão, som do coração.
            Quisera ele que o telefone tocasse... No meio da noite, no meio do inverno, num sábado à mais (ou à menos), quase agosto, quase dor.
            Quisera ele que as cartas chegassem... Mas, sem destino certo, se perderiam pelo caminho. Tortuoso. Tortuoso e cheio de pedras... Preferia acreditar que tantas pedras no caminho não eram tão ruins. Não pensava o mesmo sobre uma pedra em cada mão (e algumas nos rins). Uma flor em cada mão, nenhuma no caminho (pra não dizer que não falei das flores...). Nada no coração.
            Quisera ele ser encontrado... Como a palheta entre as almofadas do sofá, como a chance que se perdeu.
            Leu, em algum lugar, que querer é poder. E, como quem tem a fé maior que o orgulho e vez em quando acredita em fadas, duendes e finais felizes, eis que o telefone tocou. Não era final... Começo feliz, encontraram-se... Acho que era julho de 83.

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