Pensamos, pensamos, pensamos e chegamos à óbvia conclusão de que ter um amor, agora, faria toda a diferença. Agora e em todos os cantos desses gelados dias... Gelados por excelência. Não é culpa do inverno. O clima pouco tem a ver... O frio em questão é o de dentro. Nunca vai, sempre volta. Sempre gélido, disputa acirrada, coração e pedra. Coração de pedra. Incapaz de amar, hábil a sofrer. Condição humana, parte do roteiro, começo, meio ou fim, não tem importância, tem impacto. Ninguém apresentando condições, ninguém propondo pactos, ninguém pra dar a mão, ninguém pra enfrentar o inverno, ninguém pra sobreviver ao verão. Ninguém pra quebrar o gelo, ninguém pra gostar do gelo, ninguém pra gostar do silêncio, ninguém pra reclamar do barulho que ele faz. O gelo quebrando, o silêncio gritando. Ninguém igual a ninguém. Condição humana, condição precária, quero colo, vou fugir de casa.
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