Eu penso demais em você. Eu crio, demais, um futuro pra gente. Eu repito cada segundo daquele domingo ensolarado. Eu meço cada centímetro do teu ombro, do teu pescoço, do teu abdômen, do teu corpo com cor de verão. Eu desenho círculos no teu cabelo que mais parece um monte de feno. O meu corpo não se aquieta e eu te explico que tremo porque é mesmo muita responsabilidade segurar todo o meu mundo nas mãos. Anseio por um abraço. Quando o recebo não tenho dúvidas de que é ali o melhor lugar do mundo. Meu coração pulsa meu sangue com tamanha pressão que mal sinto tua frieza. Não quero pensar nada ruim ao teu respeito. Prefiro brincar com teus dedos e acariciar a palma da tua mão calejada. Prefiro contemplar tua beleza enquanto você me olha sério. Prefiro mergulhar no abismo dos mesmos olhos que me mostram a direção. Prefiro lembrar-te, mais uma vez, de todo o meu amor, que é teu. Amor, amor. Quem diria que ia dar nisso? Agora os dias passam, as horas se estendem e as pessoas continuam achando insano demais todo esse sentimento. Infantil demais. Obsessivo demais. Mal suspeitam elas que eu cairia, levaria um tiro por você. Mal sabem elas que acordo e vou dormir com o teu gosto, com a lembrança do teu rosto. Por que você se fez tão lindo? Agora meu coração não assimila mais ordem nenhuma. Agora tornou-se impossível atravessar um período de vinte e quatro horas sem te ouvir dizer que sou eu quem causa a tua insônia porque eu faço tudo errado, sempre. Tornou-se impossível imaginar viver em um mundo no qual você não exista. Eu direciono a minha cabeça à um compromisso e ela, por conta própria, decide pensar em você. Escrevo teu nome no canto das páginas de livros que eu não terei concentração suficiente para ler. Desenho tua inicial ao lado da minha num espelho que virá a refletir o nosso destino. Talvez não seja nessa vida, ainda, mas você ainda vai ser a minha vida. A vida minha, amor meu. Vem andar comigo?
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