Deixamos tanto por fazer... Tememos a altura, tememos o escuro, tememos os monstros embaixo da cama, tememos as borboletas no estômago. Temos medo de sentir. O mundo nos tornou receosos. As decepções nos deixaram assim. Ao invés de criarmos resistência tornamo-nos mais vulneráveis. Pensamos demais e deixamos de fazer, de sentir, de sonhar, de viver. Somos escravos de uma rotina incessante que não nos permite olhar para o lado, sorrir, se apaixonar. Não falamos por medo de como o dizer será ouvido. Não se sabe a catástrofe que um ‘eu te amo’ pode provocar dentro de alguém. E ao invés de mocinho, o amor tornou-se o vilão da história. Sem finais felizes cinderelescos, sem almas gêmeas, sem metade da laranja. Amor virou sinônimo de sofrimento. Ou talvez uma desculpa da indústria capitalista para ganhar mais, vender mais, enganar mais. O frio chega e pensamos em alguém que nos aqueça. O dia dos namorados chega e todos caem num mar de lástima por estarem passando mais um 12 de Junho sozinhos. E é ai que mora o perigo. Não haveria problema se fosse só mais um inverno ou mais um “valentine’s day” sem ninguém. Mas a realidade é que, mesmo em meio a 7 bilhões de pessoas, nos sentimos solitários, deslocados. Uns estranhos no ninho. E ninguém faz nada para mudar isso. Não sei se ficamos sentados esperando por alguma intervenção divina ou se realmente acreditamos que o destino já está escrito e que o príncipe encantado, vampiro ou lobo-mau (como você preferir), irão bater na nossa porta nos pedindo em casamento. Não sei o que se passa na cabeça desses meros mortais. Porque não se submeter ao perigo de ser um pouco mais gentil, um pouco mais idiota, um pouco menos humano? Porque não viver tudo que há pra viver? Tem algum idiota, em algum lugar, esperando o amor da sua vida. Espero que você perca a hora e o encontre. Espero que morra de amor e continue vivo. Espero que você não acredite que ‘se tudo passa talvez ele passe por aí’. Vá e faça. Tem um sol que aparece toda manhã te dando mais uma chance e tem estrelas no céu que aparecem toda noite dizendo que sobrevivemos há mais um dia e que quando a gente quer algo, de todo o nosso coração, nada se opõe. Somos feitos de poeira estelar, somos feitos da mesma matéria dos sonhos. Somos mais do que os olhos vêem. Somos mutantes, ninjas e lunáticos. Já vimos o mundo acabando, sobrevivemos e rimos de tudo isso. Podemos sobreviver às impossibilidades e rir diante delas. Podemos descobrir o verdadeiro significado do amor. Podemos ver as estrelas pelos olhos de alguém. O que você ainda está fazendo ai, sentado? O tempo voa. Suba nas asas dele e faça por merecer.
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