2 de abr. de 2015

Eu sei que isso não traz você de volta para mim...

Um brinco perdido ou esquecido diz muito além do fato da perda ou do esquecimento. Um brinco perdido ou esquecido transcende o valor material, sentimental ou simbólico. Um brinco perdido ou esquecido é ter porque voltar. É argumento pra quando mais uma saudade entrar pra tua coleção. É motivo pra mais um beijo intenso ainda nas escadas, porque a vontade é tão grande que não pode esperar um convite pra entrar. Invade, sem bater. Um brinco perdido ou esquecido abandona as orelhas, num ato de loucura no meio do amor ou da selvageria, pra cair na lembrança. Eu queria, em insana coragem, bater na tua porta. Esquecer a perda e o esquecimento e invadir o teu corpo. Dessa vez sem parar. Dessa vez enquanto houvesse vida. Dessa vez até o cansaço vencer. Dessa vez pra desvendar cada centímetro do teu corpo, pra delirar na tua pele morena, pra me entregar pra cada um dos teus beijos, pra provar o teu gosto, olhar o teu rosto, beijar os teus olhos. Dessa vez até você dormir grudado em mim. Dessa vez sem distração. Dessa vez com tapa na cara, puxão de cabelo, arranhão nas costas, mordida na jugular. Dessa vez com tudo o que tem direito. Dessa vez pra sempre. 

14 de fev. de 2015

Faço o nosso o meu segredo mais sincero...

Gosto de te olhar deitado na minha cama e de te ter ao alcance das mãos. Sem sentimento de posse, apenas a eminente vontade formigante que minha pele tem de sentir a tua. Eu gosto de saber que tu me olhas quando não estou olhando. Mas gosto principalmente de ver meu reflexo nos teus olhos quando está em cima de mim. E eu aprecio a forma como tu me enxergas. Gosto do gosto de sal do suor da tua pele e gosto do choro que tu não me fez engolir, pura e simplesmente por tornar qualquer tristeza insignificante e efêmera. Gosto das flores que não me mandou e das juras de amor que nunca me fez. Gosto da facilidade com que preenche qualquer vazio. Gosto do teu perfume caro no meu travesseiro e de ficar ali, horas a fio, me entorpecendo com teu cheiro. Odeio rimas baratas e me apaixono todos os dias pela tua falta de jeito com as palavras que se torna mero detalhe quando tua sinceridade é posta à prova e de Drummond a Bukowski, todos te invejariam. Gosto do teu sorriso torto e de como causa todos os meus. Gosto de como sabe do mal que pode me fazer e de como administra isso tão bem. Eu gosto de ti como quem foge do perigo, pra salvar a própria vida, e depois se joga de cima de um prédio. Eu gosto, com toda minha improvável inocência e natural ingenuidade. Gosto, apesar das circunstâncias ou por causa delas. Gosto, pelo teu bom coração que em nada se assemelha ao meu. Gosto porque meus olhos cansados não sabem parar de te olhar. Gosto, porque o sol é para todos, mas eu te dou a minha parte. Você é a minha luz. E se um dia ela se apagar, eu saio de onde estiver, no meio da noite, e te levo uma vela.


"Quando eu lhe dizia
Me apaixono todo dia
É sempre a pessoa errada
Você sorriu e disse
Eu gosto de você também..."  

12 de fev. de 2015

Tava arrumando a minha vida...

Eu não tenho nada sob controle, mas preciso te dizer tudo o que tenho vontade de dizer. Não sei se você é do tipo que vive como se pudesse morrer amanhã, mas alguma adrenalina subentendida e implícita da tua existência me instiga a fazer mais do que simplesmente existir. Algo na sua tranquilidade em encarar as coisas me faz querer ir além. Com cinco ou dez minutos de conversa você soltou algumas palavras ao vento e uma lição pra eternidade: “sempre da pra ser melhor”. Foi como me pegar nos ombros e chacoalhar, injetar realidade nas minhas veias, mandar embora o meu conformismo. Você me faz querer ser melhor. E você me faz querer ser mulher. Instiga cada um dos meus instintos e me desperta vontades adormecidas e outras que eu nem imaginei que pudesse sentir. Me deixa a flor da pele, sem nunca a ter tocado. Me excita, com as palavras, como se tocasse com a língua cada centímetro nu do meu corpo. Me faz querer a gente se pegando na escada, no elevador, na sacada, na traseira do teu carro, na mesa da cozinha, no chão da sala, na piscina, no mar, em marte, em qualquer parte. Me faz imaginar a gente adormecendo apenas quando o cansaço vencesse o tesão. Me faz querer te acordar com “bom dias” inesquecíveis e inigualáveis. Preparar o teu café e realmente permitir que o teu dia seja bom. Te esperar chegar, usando uma calcinha que eu sei que você gosta de tirar, e te receber com uma cerveja gelada pra gente brindar a vida e depois se perder no meio dos lençóis. Quando eu desembarcar pra te ver, num saguão de aeroporto ou rodoviária, quero correr pro teu abraço e te beijar como se o mundo pudesse acabar a qualquer momento. E aí quero te contar como eu já fiz as malas e tracei as rotas pra viajar contigo pra qualquer lugar só nosso. E como imaginei ver o sol nascendo e se pondo, ao teu lado. E como imaginei trilhas e caminhos pra gente percorrer juntos. E te dizer olhando no teu olho que tu pode não ser o melhor, mas que a gente parece melhor junto. Eu não sei se acredito em destino, mas sei que ninguém entra na nossa vida por acaso. Talvez isso seja loucura – e de louco aqui chega você, mas se eu não te pedisse pra dividir comigo essa insanidade que é estar vivo, eu ia me arrepender pra sempre...